Na alienação o sujeito é confrontado com uma escolha forçada,
pois não pode escolher não ser um sujeito, não pode optar por ficar fora da
linguagem. Sendo assim, o sujeito escolhe forçadamente o sentido, o significante,
a divisão. Ao abordar a questão da escolha, Freud (1913) estudou a “escolha da neurose”,
expressão que, segundo Lacan (1946), não é acertada por não haver para o
sujeito uma alternativa, pois algo é a priori determinado pela estrutura e a
qual ele traduz por “insondável
decisão do ser”. Ao tratar do tema, Lacan aponta para a “escolha
forçada” como aquela na qual o sujeito não é dotado do livre arbítrio esperado,
uma vez que esta se remete a uma força ininterrupta que o atinge, deixando-o
sem escapatória.
Através da metáfora, “a bolsa ou a vida”, Lacan (1964) deixa
claro que ao realizar uma escolha perde-se inevitavelmente outra, o que acaba
por ratificar a ideia de que toda escolha é necessariamente perdedora. O
essencial dessa primeira escolha é que por meio da perda
introdutória e estrutural algo pode ser exprimido através de uma reedição.
Na tentativa de ilustrar a operação de alienação, Lacan
(1964) emprega a estrutura do vel, assertiva da lógica matemática, asseverando
que o vel da alienação demarca uma escolha cujo atributo depende de que, em uma
reunião de componentes, haja um elemento que em decorrência da escolha promova
o seguinte produto: “nem um, nem outro”.
Em suas palavras: “Escolhemos o ser, o sujeito desaparece, ele nos escapa, cai
no não-senso — escolhemos o sentido e o sentido só subsiste decepado dessa
parte de não-senso que é, falando propriamente, o que constitui a realização do
sujeito, o inconsciente”. (idem, ibidem, p.200).
Juli Travassos Galina (Ficção e Fixação: A amarração da
Fantasia a Repetição)
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