sexta-feira, 26 de abril de 2013

AMA-ME MAIS UMA VEZ!

ALBAMAR(Tradução Mário Faccioni)

Quero voltar a sentir
o toque de tuas mãos acariciando minha pele
Quero voltar a sentir
teus lábios ardentes beijando os meus
e que nossas línguas joguem o jogo proibido.

Que nossos corpos queimem
como um vulcão em erupção
Fervilhando na praia do desejo.

Ama-me mais uma vez,
Me faça sentir viva,
Faça que vibre meu corpo com cada caricia,
com cada beijo e cada gemido
que o vento carrega
Deixa-me extenuada de prazer
ao te sentir em mim,
dentro de mim, e eu dentro de ti
Somos dois em um, em um só corpo

Ama-me mais uma vez
Façamos deste mundo, o nosso
Ama-me mais uma vez
E juntos, voemos,
para depois dos sonhos.

CALIENTE

Nesse imenso calor
Berço de terra quente
Meu corpo quer amor
Estou por você ardente
Coração apaixonado
Desejo a flor da pele
Meu sexo “Caliente”
Ânsia por te suando
Em tardes de amor
Meu corpo e o teu
Em entrega e furor
Um dentro do outro
No consumo do amor
Mãos que se corrompem
Em atos de lascívias,
São as mesmas que amaciam
Bocas se encontram
Em bocas que saciam.
Sexos que se invadem,
Corpos que se entregam
Coxas em ardor.
Penetras de amor
Em desejos de calor
Gozos bem ardentes
De tremer o corpo
E trincar os dentes
Em um amor “Caliente”.

Artur Cortez

O Caldeirão de Pietra

Parte III

Recobrando os Sentidos! 

Um manto negro com inúmeros pontos de luz cintilante foi a primeira imagem que visualizou. A sensação era de tontura e embriaguez e aquela imagem do céu parecia-lhe um sonho. Já era tarde da noite e o vento gelado e cortante mais o gosto salgado em sua boca contribuíram para que Pietra, aos poucos, recobrasse os sentidos.

_Onde estou? O que aconteceu?

De repente as fortes ondas da maré alta a arremessaram sobre as rochas. Pietra se contorceu de dor e lutou para não cair no mar. Seu corpo estava todo dolorido e com diversas escoriações, porém nenhum osso havia se quebrado. Com muito esforço escalou a ribanceira até chegar ao solo e avistar o Farol um pouco mais adiante. Caminhou alguns passos e caiu de joelhos encolhendo o seu corpo até o chão onde chorou soluçosamente durante alguns minutos.

Passado algum tempo, Pietra se levantou e seguiu a estrada rumo ao seu lar. O frio intenso e a roupa molhada que pesava ainda mais sobre o seu corpo dificultavam todos os seus movimentos. Em certa parte do caminho um velho carroceiro a avistou, surpreso por já ser tarde da noite e imaginando o que poderia ter acontecido ofereceu-lhe ajuda.

_Moça, o que aconteceu com você, está ferida?

_Quero apenas ir para casa! Respondeu Pietra com voz chorosa.

_ Alguém a atacou? Podemos ir direto às autoridades se quiser.

_Não! Quero apenas ir pra casa!

_Tudo bem, deixe que eu a leve então, afinal está muito frio, você está toda molhada e muito machucada. Deixe que eu a leve para sua casa onde possa ser cuidada por alguém.

Ela parou de caminhar, sabia que não havia ninguém em casa, mas estava tão dolorida e exausta que talvez não conseguisse chegar sozinha. Pietra olhou bem no fundo dos olhos do carroceiro por alguns segundos e consentiu acenando a cabeça.

A essa altura, Pietra já estava em estado de hipotermia, as dores pelo corpo aumentavam a cada segundo e não haviam mais forças para subir na carroça. Aquele senhor de coração gentil, percebendo a tremedeira e a palidez em seu rosto ofereceu-lhe antes uma dose de conhaque para que pudesse aumentar a temperatura do corpo, depois a envolveu em um cobertor velho bastante empoeirado e acomodou em sua carroça.

Seguiram por todo o caminho em silêncio. Nenhuma palavra foi trocada. Para indicar o caminho ela apenas gesticulava e o carroceiro seguia os seus sinais sem contestar.

Já em casa, Pietra tirou suas roupas molhadas, bebeu todo o conteúdo de uma garrafa de vinho enquanto aquecia a água para tomar um banho quente. Não conseguiu pensar em nada naquele momento, nada fazia sentido e não havia nem mesmo a certeza de que estava realmente viva. Apesar da imensa dor no corpo que sentia tudo parecia irreal, era como se estivesse sonhando. Após tomar o banho vestiu uma roupa quente, deitou na cama sob a luz de uma vela e em seguida dormiu.

Ao acordar no dia seguinte, percebeu que tudo estava exatamente como havia deixado antes de ir ao Farol. Virou-se para a janela e permaneceu deitada visualizando o dia ensolarado que fazia lá fora. Nenhum sentimento se manifestou naquele momento. Apesar de já ter recobrado a memória sobre todos os acontecimentos, nenhuma emoção se manifestava em seu íntimo, nenhum pensamento, sua mente estava em pleno silêncio.

Passaram-se dois dias e Pietra não saiu de casa uma única vez se quer. De seus aposentos só levantou para satisfazer suas necessidades fisiológicas. Dormiu todo o tempo que lhe foi possível, pois pela primeira vez em sua vida estava tendo tranqüilidade em seus sonos. Não havia qualquer manifesto de emoções ou dos fantasmas do passado.

No dia seguinte, Pietra despertou no momento em que o sol nascia e de sua janela admirou a beleza daquele evento. Levantou de sua cama, tomou um banho frio e depois vestiu um de seus longos vestidos. Seu corpo estava cheio de hematomas e ainda doía muito. Tomou um chá de ervas frescas e depois saiu para o centro da cidade onde habitava.

Estava quente e Pietra resolveu se refrescar nas águas do chafariz da Matriz, molhou seus punhos e seu rosto, depois sentou num dos bancos enquanto os respingos refrescantes de água caiam-lhe sobre o corpo. Ali ficou refletindo sobre sua última experiência. Agora sim, pensava sobre tudo o que havia acontecido.

_Tive um sonho absurdamente louco enquanto estava inconsciente da queda. Será que estive realmente diante da Morte? De quem era aquela voz que me dizia o que fazer?

Enquanto refletia, uma senhora se aproximou de Pietra.

_Bom dia, sou uma viajante e estou a procura de pousadas na região, poderia indicar-me alguma?

Aquela senhora portava apenas uma maleta média e uma bolsa pequena. Suas vestimentas eram simples e desgastadas pelo uso, Pietra presumiu que ela não possuía muito dinheiro e resolveu indicar-lhe a pensão de uma amiga.

_Há poucas pousadas nesta cidade e são muito caras. Conheço uma pensão onde uma amiga trata muito bem de seus clientes e o ambiente é bem familiar. Se desejar, posso acompanhá-la até o local?

_Sim, eu apreciaria muito conhecer essa pensão, certamente me sentiria mais a vontade num ambiente como esse. Como se chama, minha querida?

_Meu nome é Pietra!

_Muito prazer, meu nome é Zózima!

E as duas se dirigiram à pensão da tão conhecida Dona Henriqueta.

TORNE-SE UM LAGO!!!!!


O velho Mestre pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal em um copo d’água e bebesse.
– Qual é o gosto? – perguntou o Mestre.
– Ruim – disse o aprendiz.
... O Mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse outra mão cheia de sal e levasse a um lago.
Os dois caminharam em silêncio e o jovem jogou o sal no lago, então o velho disse:
– Beba um pouco dessa água.
Enquanto a água escorria do queixo do jovem, o Mestre perguntou:
– Qual é o gosto?
– Bom! – disse o rapaz.
– Você sente o gosto do sal? – Perguntou o Mestre.
– Não – disse o jovem.
O Mestre então sentou ao lado do jovem, pegou sua mão e disse:
– A dor na vida de uma pessoa é inevitável. Mas o sabor da dor depende de onde a colocamos. Então, quando você sofrer, a única coisa que você deve fazer é aumentar a percepção das coisas boas que você tem na vida.
Deixe de ser um copo. Torne-se um lago.
(conto budista)

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Ode de Ricardo Reis!


Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

Ricardo Reis, heterônimo de Fernando Pessoa

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Dizer Adeus!

Calar a boca, não pronunciar a palavra. Arrumar o passado num espaço amplo e arejado, equilibrado em separação de tempos, vontades, idades e mentalidades.
Olhar em frente, não voltar atrás. Dar a mão a quem te quer em coração.

Beijei-vos como se vos fosse ver amanhã. Em mente guardei um “Até logo”, “Até já”, mas dos lábios saiu um “Já vou…”.Em retratos vos levo, mas meu coração ficou.
Escondi a lágrima da mais simples dor. Aquela que te prende à vida, e em seguida te dá a proposta de uma ida sem volta, onde brotam sorrisos, beijos apaixonados e “Bons dias” acarinhados.

Vi-te chegar perto, e não pedis-te para ficar, mas foi como se falasses em desespero sem nada dizeres. Como te conheço… pedaço meu!
Não te deixo, levo-te comigo. Não posso viver sem ti, e é grande o meu desalento cada vez que sinto que não estás presente.

Um misto de exaltação por começar longe, com a tristeza de não te ter perto.
Conjunto de alegria partilhada em estado de euforia.
É a necessidade de mudança, para criar esperança. É um mundo novo, um crescimento repleto, onde me completo em Ser. Onde me encontro em passado, presente e futuro. Onde sinto que a minha vida pode ser Tudo.

E Tudo será como sempre sonhei, com degraus que não desejei, mas com a força e a luta a que me habituei.
Com quem preciso do meu lado, com quem quiser ficar, com quem me olhar de forma real.
Recuso seres fúteis, recuso olhares banais, recuso palavras vazias e vozes sem som. Recuso quem não é ninguém…

- Olá nova vida!
- Bem-vinda Catarina!
Catarina Portela

segunda-feira, 22 de abril de 2013

"Perguntei a um sábio ,
a diferença que havia
entre amor e amizade,
ele me disse essa verdade...
O Amor é mais sensível,
a Amizade mais segura.
O Amor nos dá asas ,
a Amizade o chão.
No Amor há mais carinho,
na Amizade compreensão.
O Amor é plantado
e com carinho cultivado,
a Amizade vem faceira,
e com troca de alegria e tristeza,
torna-se uma grande e querida
companheira.
Mas quando o Amor é sincero
ele vem com um grande amigo,
e quando a Amizade é concreta,
ela é cheia de amor e carinho.
Quando se tem um amigo
ou uma grande paixão,
ambos sentimentos coexistem
dentro do seu coração."
William Shakespeare

Poema a Boca Fechada!

"Dirão, em som, as coisas que, calados, no silêncio dos olhos confessamos?"

Não direi: Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei, pois que a língua que falo é de outra raça.
Palavras consumidas se acumulam, se represam, cisterna de águas mortas, ácidas mágoas em limos transformadas, vaza de fundo em que há raízes tortas.
Não direi: Que nem sequer o esforço de as dizer merecem, palavras que não digam quanto sei neste retiro em que não me conhecem.
Nem só lodos se arrastam, nem só lamas, nem só animais bóiam, mortos, medos, túrgidos frutos em cachos se entrelaçam no negro poço de onde sobem dedos.
Só direi, crispadamente recolhido e mudo, que quem se cala quando me calei não poderá morrer sem dizer tudo.

O Caldeirão de Pietra

Parte II

Pietra

Pietra era uma mulher de beleza comum, mas possuía uma graciosidade especial e uma elevada dose de poder de sedução. Seu semblante era terno, seu olhar era doce e meigo, seus lábios eram carnudos, porém suaves. Tinha cheiro de canela e orquídeas, cabelos escuros e longos, pele aveludada e macia, suas curvas bem definidas ficavam escondidas por debaixo de suas vestes compridas e causavam curiosidade aos homens que, vez ou outra, encontravam coragem para espioná-la enquanto tomava seus banhos no rio. Para muitos ela era muito querida, porém para outros, Pietra representava a personificação da repugnância e estes a refutavam sobremaneira.

Sua infância e juventude foram marcadas por tragédias e situações muito difíceis às quais deixaram sequelas e resquícios que a atormentaram a vida toda. Por conta de seus fantasmas, suas noites eram assombrosas e raramente conseguia relaxar durante o sono. Muitas vezes dava preferência por ficar horas e horas acordada até seu corpo não suportar mais a exaustão e desmaiar. Só assim conseguia ter um sono livre das perseguições do passado.

Apesar de tudo, Pietra se esforçava muito para ser uma pessoa melhor. Jamais ambicionou obter fortuna ou possuir bens materiais, mas queria sim ser alguém na vida desde que fosse através de seus próprios esforços e méritos. Seu principal objetivo era algum dia conquistar a paz interior que tanto sonhava desfrutar, mas que estava muito longe de alcançar.

Certo dia, enquanto Pietra descansava sobre o chafariz da praça matriz de sua cidade, inusitamente, foi abordada por uma senhora desconhecida que intencionava obter informações sobre pousadas da região local. Pietra sentiu um carinho involuntário por aquela mulher e, amorosamente, se dispôs a acompanhá-la até uma pensão familiar onde pudesse ser bem tratada sem esbanjar muito dinheiro. Durante o caminho até a pensão elas desenvolveram um laço de amizade entre si que mais tarde resultaria em cumplicidade e partilha de sentimentos, conhecimentos e experiências.

Nos dias que se seguiram, as duas se encontraram diversas vezes nos arredores da cidade. Ficavam horas conversando, realizando alguns experimentos estranhos e fazendo anotações em cadernetas. Ás vezes até se afastavam da vizinhança para ter mais privacidade e liberdade em suas experiências.

Pela primeira vez na vida, Pietra se sentia protegida e segura, mas havia chegado o momento daquela senhora se despedir e permitir que sozinha, Pietra se concentrasse em si mesma e em suas novas tarefas para desenvolver suas habilidades e iniciar um novo caminho pessoal muito diferente daquele que havia trilhado até então.

Pietra iniciava uma fase de sua vida!

terça-feira, 16 de abril de 2013

Desespero...

Arrependimento constante me assombra

Nunca deveria tê-lo convidado

Essa saudade tem me matado aos poucos

Minha esperança está por um fio, e a cada anoitecer eu morro mais um pouco

Nunca desejei algo tão intensamente como eu desejo você

O demônio que possui minha alma

O único que me faz sentir realmente viva...

Malditas visões de outros mundos!

Eu amaldiçôo o dia em que me vi liberta e pude em teu mundo adentrar

Tantas coisas que eu quis fazer, tantas outras que eu pude ser...

Minhas noites são pesadelos vazios

A dura realidade de estar presa aqui

Minha alma algemada à realidade comum

Na escuridão eu espero

Por nosso último abraço

Na escuridão eu sinto

Desespero...

Nuit Engel

O Caldeirão de Pietra

Capítulo 1

Morte!

E a morte surgiu e sorriu por detrás dela sussurrando em seus ouvidos:

_Vamos, é chegada a sua hora, você não pertence mais a este plano!

Pietra, então, inspirou e encheu seus pulmões de ar, prendeu a respiração, fechou os olhos, abriu os braços e se lançou ribanceira abaixo.

A Morte sorriu e num gesto suave e doce estendeu-lhe os gélidos metacarpos em sinal de apoio. Aquilo tudo era incrivelmente assustador.

_ Hora de partir! Disse a Morte com voz suave como se morrer fosse algo encantador.

Ainda atordoada e confusa, Pietra se agarrou àquela criatura sombria que mesmo sem semblante definido lhe transmitia alguma sensação de tranqüilidade. Dali fora levada para um lugar sem formas, sem delimitações de espaço, era um vácuo "negro e profundo", podia-se afirmar que era o próprio Nada.

Pietra entrou num estado que parecia um sono profundo. Quando voltou a si vislumbrou todas as histórias de sua vida sendo reprojetadas bem diante de seus olhos. Imensamente assustada por presenciar tudo aquilo ela não conseguia controlar nenhuma das emoções que lhe sobrevinham à alma. Subtamente começou a cair novamente. Agora caía para dentro do infinito.

Diante da sensação de pavor e medo e após tentar diversas vezes, frustradamente, interromper a queda, Pietra se entregou a gritos de desespero. A queda era infinita, era um verdadeiro abismo, igual aqueles dos sonhos em que nunca se chega a tocar o chão.

Confusa e cansada, Pietra decidiu não mais lutar contra a queda, esperançava cair até chegar a algum lugar que pudesse finalmente fazer com que todo aquele horror desaparecesse, porém a visualização das imagens de suas experiências de vida continuava de forma aleatória, mas se sobrepondo umas as outras e suas lembranças questionavam sobre as imagens que lhe pareciam distorcidas da realidade vivida. 

Aos poucos começou a se tranqüilizar e permitiu que todo aquele infinito se manifestasse diante de si. Ouviu vozes de pessoas cantarolando, tambores e diversos outros sons que se misturavam e que, de alguma forma, lhe acalmavam o espírito.

Ouviu sorrisos e gargalhadas. Gritos e prantos.

De repente tudo cessou. Os sons e todas as imagens desapareceram dando lugar a um silêncio e um negrume mórbidos. A queda finalmente terminou e, surpresa, Pietra começou a flutuar em meio a imensidão daquele lugar. Desconcertada e incerta do que fazer, apenas fechou os olhos e iniciou exercícios de respiração. Quando se acalmou, resolveu entender o que estava realmente acontecendo consigo.

_ Estou morta?! Mas como é possível estar consciente de tudo ainda? Acho que é hora de descobrir o que está acontecendo e saber que mundo é esse!

Olhou, olhou e nada visualizou a sua volta.

_ Tem alguém aqui além de mim?
_ Alguém pode me dizer onde estou, que mundo é este?

Silêncio total, ninguém respondia absolutamente nada.

Nada acontecia e assim permaneceu por longo tempo.

Dois soluços e seus olhos encheram-se de lágrimas. Estava sozinha, perdida no infinito e não sabia nada do que poderia lhe acontecer naquele lugar. Resolveu se acalmar e esperar mais um pouco. Reiniciou os exercícios de respiração e caiu em um novo transe. 

_ Olá, alguém aí? Perguntou mais uma vez com entonação fraca e descrente de obter qualquer resposta que fosse.

_Olá minha querida, o que está fazendo? Uma voz suave lhe perguntou.

_Não sei ao certo, acho que vim da vida e agora estou morta.

_Talvez! Disse a voz em resposta. _Já se questionou que talvez você estivesse morta e que, agora sim, está seguindo para a Vida?

_Não, não houve tempo de pensar em nada. Este lugar agora está tão vazio, mas antes tudo estava tão confuso, eu podia ver todas as minhas experiências vividas através de imagens refletidas no vácuo. Muitas delas estavam distorcidas, outras eu se quer me recordava. Mas o que é esse lugar?

_Não há uma definição conclusiva sobre este lugar, você pode nomeá-lo como preferir ou mais lhe agradar.

_Entendo! Disse Pietra bastante entristecida. Ficarei aqui sozinha para sempre?

_Ninguém nunca está sozinho, tão pouco vive para a eternidade sob a mesma forma. Tudo tem um tempo certo e sempre chega a um final. Nascimento, vida e morte estão sempre no mesmo processo atemporal.

_Então devem estar me preparando para uma nova vida e estas imagens que vi, incluindo aquelas que me atormentaram por tantos anos devem estar sendo deletadas da minha memória, assim poderei renascer sem resquícios das experiências passadas. Estou num processo de limpeza da alma, é isso?

_Se for da sua vontade, então que seja!

_Para onde será que vou? Será que terei uma chance de viver uma vida diferente daquela que eu vivia?

_Todos temos a chance de mudar nossas vidas enquanto vivos. A morte é só uma passagem que não lhe provê nenhuma garantia sobre absolutamente nada. O que está do lado de lá ou do lado de cá se equivale quando você está exatamente no meio do caminho entre um e outro.

_Não compreendo, então, não estão desmemorizando todo o histórico da minha vida?

_Eu lhe disse que este lugar pode ser o que você quiser que seja!

_Então deve ser um pesadelo!

_Ou um sonho se você preferir!

_Mas aqui não tem nada além de mim e de “ouvir você”, como posso transformar isso aqui num sonho?

_Use sua capacidade perceptiva, não cheguei simplesmente do nada, você me criou. Da mesma forma que conseguiu interromper a queda e agora consegue flutuar nesta imensidão.

_Sim, às vezes, eu alterava meus sonhos quando eram lúcidos. Talvez eu consiga fazer aqui também! Mas como assim, eu criei você? Que história é essa? Hey, aonde você está, não me deixe aqui sozinha?

Ninguém respondeu e o silêncio voltou a reinar. Pietra estava sozinha novamente, porém mais calma e disposta a redesenhar o infinito.

Na sua Estante (Pitty)

Te vejo errando e isso não é pecado,
Exceto quando faz outra pessoa sangrar
Te vejo sonhando e isso dá medo
Perdido num mundo que não dá pra entrar
Você está saindo da minha vida
E parece que vai demorar
Se não souber voltar ao menos mande notícias
"Cê" acha que eu sou louca
Mas tudo vai se encaixar
Tô aproveitando cada segundo
Antes que isso aqui vire uma tragédia
E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu
E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu
Você tá sempre indo e vindo, tudo bem
Dessa vez eu já vesti minha armadura
E mesmo que nada funcione
Eu estarei de pé, de queixo erguido
Depois você me vê vermelha e acha graça
Mas eu não ficaria bem na sua estante
Tô aproveitando cada segundo
Antes que isso aqui vire uma tragédia
E não adianta nem me procurar
Em outros timbres e outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu
E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu
Só por hoje não quero mais te ver
Só por hoje não vou tomar minha dose de você
Cansei de chorar feridas que não se fecham, não se
Curam (não)
E essa abstinência uma hora vai passar

sexta-feira, 12 de abril de 2013

A medida de uma alma é a dimensão do seu desejo


Não coloque medidas nos seus sonhos,
não queira medir a sua capacidade,
não se compare com ninguém.
... Cada um é dotado de forças e energias,
capazes de transformar a mais dura realidade,
de ultrapassar limites pré-estabelecidos,
e o que ontem era impossível, inalcançável,
é um novo recorde quebrado,
e apenas uma nova marca á ser superada.
Coloque uma lente nos seus olhos,
dessas que alcançam o infinito,
divisam estrelas que os outros nem vêem,
enxergam pontos que outros deixaram passar,
detalhes que a humildade faz perceber,
que a perseverança insiste em exibir,
e a fé vai tornando realidade.
Não desista dos seus sonhos!
Eles estão cada dia mais maduros,
não dependem de outros adubos,
esperam apenas a chuva da sua determinação,
o sol da sua firmeza,
a terra da sua certeza,
para dar frutos e mais frutos,
além do imaginável, além da própria dor,
pedindo apenas dedicação, esforço e amor.
O dia te convida para vencer!

Gustave Flaubert

Menina que Guarda Sonhos!


As coisas assim tão belas
mesmo as que não são dela
quer para poder guardar.

Diz que guarda tudo que encontra
debaixo da cama e quando pronta para dormir
os olhos abrem e fecham rápidos
num telégrafo telepático
para a caixa cheia de coisa bela abrir.

Tem noite que tão cansada se entrega
só urso de pelúcia pega
e se ajeita na cama de lado a suspirar todos os seus dramas,
já outras abraça o retrato daquele moço alto
que achou amar, no verão dos seus quinze anos.

Revendo o dia no sono
a menina que guarda sonhos
tem sempre belo novo para guardar,
vai para um canto da mente e canta
e a música muda, dependendo de onde ela esta.

Quando sonha com florestas, uiva
quanto em festas dança nua
e nos lagos joga pequeninas pedras
que guarda no bolso, encontradas no caminhar,
por isso as vezes fica tão cansada,
tanta pedra guardada
para poder se lembrar.

Com ela aconteceu certo dia
uma das lembranças que mais queria
não conseguia achar em nenhum lugar.

Correu florestas desesperada
jogou pedras no lago e nada
restou somente acordar.

Ao sair de casa para se aquecer
pegou o casaco velho e demodé
fechou a porta com duas voltas
e sentiu
na mão, nos dedos, nas pontas
uma pedrinha de brita
que agarrou toda aflita,
dentro do bolso esquecida,
para a lembrança lhe proteger.

Ivo Nascimento

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Olho do Furacão!

“De tempos em tempos dou uma pausa no drama excessivo e viro do avesso pra me tornar essa pessoa calminha, despreocupada e de bem com a vida. Só até me cansar e correr de volta pro olho do furacão. Sou meio inconstante, pode-se dizer assim. Uma hora quero calmaria e na outra quero tempestade. Pra falar a verdade, nem sei o que eu quero. Vivo pra descobrir isso.”
— Iolanda Valentim

Complexo ou Síndrome de Édipo

Freud Explica

Segundo Sigmund Freud, o Complexo de Édipo verifica-se quando a criança atinge o período sexual fálico na segunda infância e dá-se então conta da diferença de sexos, tendendo a fixar a sua atenção libidinosa nas pessoas do sexo oposto no ambiente familiar. O conceito foi descrito e recebeu a designação de complexo por Carl Jung, que desenvolveu semelhantemente o conceito de complexo de Eletra.
Freud baseou-se na tragédia de Sófocles, Édipo Rei, chamando Complexo de Édipo à preferência velada do filho pela mãe, acompanhada de uma aversão clara pelo pai. Na peça (e na mitologia grega), Édipo matou seu pai Laio e desposou a própria mãe, Jocasta. Após descobrir que Jocasta era sua mãe, Édipo fura os seus olhos e Jocasta comete suicídio.
O complexo de Édipo é uma referência à ameaça de castração ocasionada pela destruição da organização genital fálica da criança, radicada na psicodinâmica libinal, que tem como pano de fundo as experiências lidinais que se iniciam na retirada do seio materno. Importante notar que a libido é uma energia sexual, mas não se constitui apenas na prática sexual, mas também nos investimentos que o indivíduo faz para obtenção do prazer.
Alguns conceitos em psicologia são particulares de algumas abordagens psicológicas e o complexo de Édipo é um conceito fundamental para a psicanálise, entendido, inclusive, como sendo universal e, portanto, característico de todos os seres humanos. O complexo de Édipo caracteriza-se por sentimentos contraditórios de amor e hostilidade. Metaforicamente, este conceito é visto como amor à mãe e ódio ao pai, mas esta idéia permanece, apenas, porque o mundo infantil resume-se a estas figuras parentais ou aos representantes delas.
A idéia central do conceito de complexo de Édipo inicia-se na ilusão de que o bebê tem de possuir proteção e amor total, o que é reforçado pelos cuidados intensivos que o recém nascido recebe por sua condição frágil. Esta proteção é relacionada, de maneira mais significativa, à figura materna. Mais ou menos aos três anos, a criança começa a entrar em contato com algumas situações em que sofre interdições. Estas interdições são facilmente exemplificadas pelas proibições que começam a acontecer nesta idade. A criança não pode mais fazer certas coisas porque já está “grandinha”, não pode mais passar a noite inteira na cama dos pais, andar pelado pela casa ou na praia, é incentivada a sentar de forma correta e controlar o esfíncter, além de outras cobranças. Neste momento, a criança começa a perceber que não é o centro do mundo e precisa renunciar ao mundo organizado em que se encontra e também à sua ilusão de proteção e amor total.
O complexo de Édipo é muito importante porque caracteriza a diferenciação do sujeito em relação aos pais. A criança começa a perceber que os pais pertencem a uma realidade cultural e que não podem se dedicar somente a ela porque possuem outros compromissos, como é o caso do trabalho, de amigos e de todas as outras atividades. A figura do pai representa a inserção da criança na cultura, é a ordem cultural. A criança também começa a perceber que o pai pertence à mãe e por isso dirige sentimentos hostis a ele.
Estes sentimentos são contraditórios porque a criança também ama esta figura que hostiliza. A diferenciação do sujeito é permeada pela identificação da criança com um dos pais. Na identificação positiva, o menino identifica-se com o pai e a menina com a mãe. O menino tem o desejo de ser forte como o pai e ao mesmo tempo tem “ódio” pelo ciúme da mãe. A menina é hostil à mãe porque ela possui o pai e ao mesmo tempo quer se parecer com ela para competir e tem medo de perder o amor da mãe, que foi sempre tão acolhedora.
Na identificação negativa, o medo de perder aquele a quem hostilizamos faz com que a identificação aconteça com a figura de sexo oposto e isto pode gerar comportamentos homossexuais. Nesta fase, a repressão ao ódio e à vontade de permanecer em “berço esplêndido” é muito forte e o sujeito desenvolve mecanismos mais racionais para sua inserção cultural.
Com o aparecimento do complexo de Édipo, a criança sai do reinado dos impulsos, dos instintos e passa para um plano mais racional. A pessoa que não consegue fazer a passagem da ilusão/superproteção para a cultura, se psicotiza.
O complexo de Electra define-se como sendo uma atitude emocional que, segundo as doutrinas psicanalíticas, todas as meninas têm para com a sua mãe; trata-se de uma atitude que implica uma identificação tão completa com a mãe que a filha deseja, inconscientemente, eliminá-la e possuir o pai. Freud referia-se a ele como Complexo de Édipo Feminino, tendo Jung dado o nome "Complexo de Electra", baseando-se no mito de Eletra, filha de Agamemnon. Freud rejeitava o uso de tal termo por este enfatizar a analogia da atitude entre os dois sexos.
O complexo de Electra é, muitas vezes, incluído no complexo de Edipo, já que os princípios que se aplicam a ambos são muito semelhantes.
Ela é feia!

Quando vi as fotos minha primeira reação foi: nossa, ela é até bonitinha, mas, "peraí", tem algo errado nessas fotos!

Continuei olhando e logo percebi que o que “melhorou” sua fisionomia foi: maquiagem totalmente perceptível e algumas condições tecnológicas para desfocar partes faciais comprometedoras que se não fossem ocultadas sugeririam de imediato a falta de graciosidade natural que quase toda mulher costuma ter em seu semblante.

E continuei observando: cabelo extremamente crespo tipo pixain com um trabalho de alisamento muito mal feito, testa gigantesca e cheia de demarcações que pareciam espinhas ou sei lá o que eram aquilo, talvez os fios nascentes da cabeleira grossa e crespa não tivessem permitido uma boa aplicação da base e do pó facial. Ahh, mas os dentes eram lindos. Belo sorriso, não posso negar, mas é só isso.

Em questão de segundos meu ego narcisista deliciou-se em gargalhadas consecutivas. Típica Raimunda! Pensei. Sem maquiagem aquele rosto não é nada, deve ser por isso  que essa criatura evita tanto de postar fotos em redes sociais. Enquanto ria dos meus pensamentos e daquilo tudo o que aconteceu, eu também refletia: concorrência feminina, novamente os efeitos do Complexo de Édipo dando as caras!

Lembrei-me de nossa última troca de informações na qual ela fazia um esforço enorme para transferir a mim características de sua própria personalidade e ela nem se deu conta disso. Também, com aquele ar de superiodade que ela sempre demonstrava seria impossível ela enxergar alguma coisa além dela mesma. Mas logo percebi que toda aquela ira não passava de uma extrema necessidade de auto-afirmação e uma mega carência afetiva. A culpa dela ser assim era só dela.

Ela disse sentir pena de mim. Pobre coitada, embora eu tivesse ficado inicialmente nervosa, após reler todo o conteúdo da mensagem, passei a sentir apenas dó da criatura. Ela mal sabia que eu tinha acesso a várias informações sobre o seu modo de ser e de agir, informações que nosso amigo em comum havia desabafado em particular, incluindo sua forma mascarada de lidar com todos a sua volta. Quanto mais lia, mais convicta de sua pobreza humana me sentia. E ao passo que todos os acontecimentos anteriores iam se projetando em minha mente, ia me dando conta de que mesmo depois de conviver anos e anos ao lado de uma pessoa tão querida o seu egoísmo e individualismo jamais lhe permitiram conhecer esta pessoa como realmente era.

_Ele é falso e mentiroso! Agora eu sei lidar com isso! Ela afirmou.

_Depois de tanto tempo, finalmente ela abriu os olhos, talvez percebesse a necessidade de mudar de comportamento. Mas egoísta do jeito que é, abriu da forma errada, agora é que ela vai controlar até o ar que ele respira acreditando realmente que essa é a forma correta de lidar com a situação. Pensei e logo em seguida recordei dos desabafos dele:

_Tudo tem de ser do jeito dela, eu não posso fazer nada do meu jeito. É cheia de não me toques, mimada!

O sentimento de dó só aumentava por ela.

Infelizmente, a realidade dessa criatura sempre foi deformada pelas emoções que deturpavam e que ainda deturpam sua memória cognitiva, além de que, a tornam uma pessoa pobre e infeliz pelo simples fato dela querer ser assim. Não bastasse mentir para os outros, ela esqueceu totalmente que a pessoa mais enganada era ela mesma, mentindo e reescrevendo suas experiências para si mesma sempre que conveniente.

Acabei descobrindo que ela não era somente feia fisicamente. Se esse fosse o seu problema ela poderia  resolver tudo isso indo a um bom salão de beleza, eu mesma indicaria um. Mas ela é feia por dentro e seus olhos são voltados apenas para o seu próprio ego, ego que se sustenta numa imagem que não passa de uma grande mentira. Ela não é, nem foi, o que afirma ser.

Dessa experiência, o resultado foi que estou feliz por poder expôr meus pensamentos e sentimentos, estou feliz por ser quem sou e por me assumir como tal.

Estou feliz por poder me olhar no espelho e ver a minha real imagem refletida nele. Estou feliz por não precisar viver em silêncio, fingindo ser quem eu não sou.

Quanto a ela, bem...

Ela é feia!


Pra você!

Mentiras patológicas: a "síndrome de Pinóquio"
As razões que levam as pessoas a mentirem de forma compulsiva são variadas, mas seus efeitos são similares: o primeiro a ser enganado é o próprio contador, que não vê a fronteira entre a verdade e a fantasia, afasta-se da realidade e encaminha-se pouco a pouco a uma crise emocional. O que fazem, sentem e procuram os mentirosos? O que encobre suas mentiras? Como identificá-los?
"Embora em alguns casos a mentira patológica seja a característica mais notável do comportamento de um indivíduo, este quadro costuma ser apenas a ponta do iceberg de uma pessoa que pode ter uma personalidade patológica, distúrbios psicológicos e problemas psiquiátricos ou distintos conflitos e carências emocionais.   Alguns mentirosos patológicos têm consciência da sua incapacidade de estabelecer um diálogo sem que nele haja mentiras, mas, no entanto, não conseguem controlar esta conduta. Outros não percebem suas mentiras e vivem em um mundo de fantasias. Todos pagam um alto preço por inventar, deturpar e aumentar a verdade: vivem "vidas de mentira", repletas de fantasmas, mal-estar e problemas que não são solucionados.    http://saude.terra.com.br/interna/0,,OI405302-EI1497,00.html
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
Vinícius de Moraes

segunda-feira, 8 de abril de 2013

O que eu ganho, o que eu perco, ninguém precisa saber!

Eu gosto tanto de você  que até prefiro esconder.
Deixo assim: ficar subentendido.
Como uma ideia que existe na cabeça e não tem a menor obrigação de acontecer.
Eu acho tão bonito isso de ser abstrato. A beleza é mesmo tão fugaz!
É uma ideia que existe na cabeça e não tem a menor pretensão de convencer.
Pode até parecer fraqueza. Pois que seja fraqueza então! A alegria que me dá, isso vai sem eu dizer.
E se amanhã não for nada disso, caberá só a mim esquecer.
O que eu ganho, o que eu perco, ninguém precisa saber.
(Fonte: 180diasdelulu, via absoleto

CICLOS!

Fechar Ciclos,
Arrancar o mal pela raíz,
Daqui pra frente, só o que me faz bem quero por perto,
Nada que me prenda, que me maltrate, que me sufoque,
Nada que me ponha pra baixo,
Nem que doa, e dói muito, isso vai mudar,
Hora de sacudir a poeira e recomeçar,
Menos máscaras, mais leveza, suspenção de mentiras e enganações,
Respirar fundo e ser realmente feliz!

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Felicidade Pessoal!

A maioria das pessoas sempre desabafa seus anseios desesperados por alguém que as complete e que as façam felizes e relatam que só encontram parceiros que as enganam e as fazem sofrer.

Todo mundo engana quando acredita que é enganado e por isso acaba reduzindo as possibilidades de ser feliz sozinho, mas não adianta procurar nos outros a felicidade que não existe dentro de si mesmo.

É difícil superar uma desilusão, é difícil ser rejeitado, é difícil amar sem ser amado e é extremamente complicado conciliar todo esse sofrimento à necessidade de uma transformação pela busca da felicidade pessoal.

Ser feliz é uma concepção de estado de espírito, assim como também pode ser considerada uma exteriorização de uma satisfação interna. O que isso realmente quer dizer é que ser feliz tem como base principal o interior de uma pessoa, não o seu externo. Se uma pessoa está bem consigo mesma ela conseguirá se sentir bem em todas as esferas da sua vida particular e social.

A maioria não superou o Complexo de Édipo durante a infância e na fase adulta quando se depara com conflitos, especialmente os afetivos, tende a regredir em suas ações transferindo responsabilidades e agindo de forma negativa ou até mesmo com má fé contra o(a) parceiro(a).

De modo geral, raramente uma pessoa se dá conta das conseqüências dos próprios atos e nunca demonstra qualquer  importância com o quanto tais ações interferem no eixo-estrutural do outro ou dos demais envolvidos. A situação  se torna mais grave ainda, quando os que foram afetados decidem agir da mesma forma imatura e irracional. 

O resultado será sempre uma monstruosa guerra interna contra si mesmo que, consequentemente, repercutirá numa guerra externa de pessoas contra pessoas criando uma cadeia de infelicidade coletiva que interfere diretamente na forma como se conduz a própria vida, muitas vezes se fechando para as reais possibilidades de se tornar uma pessoa feliz.

Para ser feliz, o primeiro passo é se conhecer a fim de obter condições para uma identificação consciente dos fatores que realmente proporcionam algum bem ou mal-estar para si mesmo. O segundo passo é eliminar o que é prejudicial e o terceiro é fomentar tudo aquilo que faz bem a si mesmo.

A única fase realmente complexa nesta busca pela felicidade pessoal é o momento do confronto entre as mentiras e as verdades que foram alimentadas em cada experiência vivenciada. A decepção para consigo mesmo pode se manifestar quando se perceber que essas mentiras eram verdades e as verdades eram mentiras.

Para validar o sucesso desse processo deve-se saber o quanto está disposto a admitir que estava errado a respeito de si mesmo.

Para tal o uso de um espelho é essencial. Se a imagem visualizada como reflexo for a mesma que acredita realmente lhe pertencer, então o passo a passo será extremamente fácil de ser realizado.

Para ser feliz só depende do quanto se quer ser feliz e não do quanto se espera que os outros lhe façam feliz!

quarta-feira, 3 de abril de 2013

"— É pecado sonhar?
— Não, Capitu. Nunca foi.
— Então por que essa divindade nos dá golpes tão fortes de realidade e parte nossos sonhos?
— Divindade não destrói sonhos, Capitu. Somos nós que ficamos esperando ao invés de fazer acontecer."

(Dom Casmurro, Machado de Assis)

terça-feira, 2 de abril de 2013

(Seu) Zé!

(Seu) Zé era um negro franzino de  menos de 1,50m de altura, acima dos 70 anos que sempre usava calças e botinas de pular brejo, suspensórios, camisão surrado e um chapéu de palha. Lembrava muito o preto velho, mas o arquétipo deste segundo apesar de carismático era um pouco assustador naquela época,  já o (Seu) Zé, ahhh sim, este era simplesmente apaixonante.

(Seu) Zé era dono de um coração tão grande, mas tão grande que o transformava num homem gigantesco, forte e muitíssimo querido por todos.

Era o zelador do colégio onde cursei o ginásio.

Em suma era o pai de todos, cuidava de todo mundo: dos mais rebeldes aos mais comportados. Sabia de todos os nossos problemas, dos nossos namoricos, dos nossos atos duvidosos. Tudo o que fazia para nos moderar era conversar amistosamente e se portar como um grande amigo que se doava aos outros. E todo mundo se preocupava em não decepcioná-lo, mas adolescente que éramos, é claro que aprontávamos vez ou outra, mas nos esforçávamos muito para não chatéa-lo com nossos atos.

Ele morava sozinho num quartinho cedido pelo colégio. Não recordo se ele tinha família, acredito que não, ao menos nunca vi ninguém visitá-lo, mas apesar de  sozinho ele não me parecia uma pessoa solitária, ao contrário disso, ele era extremamente solidário e feliz. Além disso, ninguém o deixava em paz, sempre tinha um ou "um bando" de alunos em torno dele, fora os funcionários do colégio que sempre o requisitavam também.

Lembro-me que certa manhã de sábado nosso time não tinha como treinar Handebol por falta de quadras disponíveis no bairro, então decidimos pular o portão para treinar na quadra do colégio. Quando o (Seu) Zé nos ouviu, saiu correndo com a chave dizendo:_"Não, não, minhas meninas, não precisam fazer isso. Não pulem por favor, eu abro o portão para vocês, só me prometam não bagunçar nada e nem levar nada embora!" Treinamos e nos divertimos o dia inteiro, ele até nos fez um lanchinho pra não passarmos mal e ficou ali conosco, nos assistindo e nos alegrando com seu carinho.

No dia do meu aniversário eu estava muito triste por problemas famíliares e para aumento da minha tristeza este também era o dia da despedida da minha turma do colégio, estava prestes a perder o contato com meus melhores amigos. Mas, para minha surpresa, a turma e os professores fizeram um bolo para comemorar os meus 15 anos, depois da cantoria aquilo tudo acabou virando uma super festa de despedida da 8ª série. Eu recebi muitos abraços apertados neste dia "07/12/1989" e todos foram muito importantes para mim, mas o mais carinhoso, o mais terno, aquele que eu mais precisava, veio do colo daquele baixinho gigante.

Mesmo quando mudei de colégio, eu e uma amiga ainda tivemos o privilégio de encontrá-lo diversas vezes pela R. Marechal Deodoro em SBCampo e toda vez, sem exceção, ele nos levava para comer esfirra aberta e bater um papo numa das melhores lanchonetes desse endereço. Ficávamos um longo tempo conversando sobre tudo.
Quando este querido homenzinho veio a  falecer a tristeza foi enorme, todos que o conheciam foram velar o seu corpo e dar um último adeus. Eu não pude estar presente nesse dia e mesmo que estivesse em condições eu não teria coragem de vê-lo deitado num caixão. Mas aproveito o dia de hoje para manifestar minha admiração e carinho:

(Seu) Zé, saudades imensas de você e que o tempo jamais me prive de tê-lo em meu coração e em minhas lembranças!

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Só mais uma vez!

Eu queria só mais uma vez poder ouvir a sua respiração ao meu ouvido e sentir o calor do seu corpo sobre o meu para poder então entregar-me a solidão eterna por saber que ninguém jamais conseguirá me completar como você!

Amor Perdido!

Perdas!

Fazia tempo que eu não sabia mais o que era sofrer pela perda de alguém.

Perder uma pessoa que a gente deseja que esteja presente em todos os momentos da vida, seja por falecimento ou por um desentendimento, é ruim demais. A dor desencadeia um aperto forte no peito, causa falta de ar e sucumbe a um desespero imensurável. Em alguns momentos chega a ser tão insuportável que se perde o senso da realidade fazendo vaguear nas ilusões da paranóia. E quantos erros inconscientes não são cometidos por conta dessa explosão de emoções.

A dor mais forte que senti, sem sombra de dúvida, foi a da perda do meu pai. Mas esta dor irremediável que dura a vida toda é uma dor que embora machuque, o tempo acaba por acomodá-la. Penso que o fato de não saber o que ocorre do outro lado da vida me obriga a vizualizar o melhor para quem passa dessa para as "bandas de lá" e isso, de certa forma, acaba sendo confortante.

Jamais pude esperar sentir a mesma segurança que meu pai me transmitia com outra pessoa, mas isso se tornou real quando conheci você, meu querido amigo e eterno amor.

Jamais imaginei que me libertaria dos resquícios de um passado doloroso através dos toques suaves das suas mãos e do seu abraço carinhoso, da sua gentileza, da sua atenção, do seu faz de conta conquistador, do seu jeito simples que tanto me fazia rir com prazer. Jamais imaginei que seria envolvida por sua coragem de se revelar a mim como realmente é no seu íntimo.
Fui laçada por seus braços tão poucas vezes, mas poucas vezes de tempo tão infinito em meu coração que sinto o calor do teu abraço toda vez que me recordo dos nossos encontros. Nestes momentos sinto o seu cheiro, o toque da sua pele e o sabor da sua boca. Jamais poderia esquecer-me de nossa caminhada de mãos dadas pela Rodoviária do Tietê/SP ou  pela Beira-Rio/SC, nem tão pouco de todas as nossas brincadeiras e brincanagens num tempo que era só nosso e de mais ninguém. Nossas conversas, ahhh nossas conversas, nossos segredos!

Como fomos amigos durante esse curto tempo em que pudemos estar juntos ainda que distantes. Que tempo bom!

Todos os momentos em que você esteve comigo presencialmente foram perfeitos e não foram sobras, foram experiências únicas perpetuadas pela "liberdade de sermos quem realmente somos", livres das máscaras sociais. Sim, amado, nestes momentos você era realmente quem sempre quis ser, não o que lhe obrigaram a ser. Este era o seu Eu Verdadeiro.

Não precisei de 14 anos para conhecê-lo, o conheci como realmente é no momento em que passamos a trocar informações sobre nós dois. Você jamais negou os seus defeitos e suas qualidades sempre estiveram a mostra. Em tão pouco tempo conhecemos um ao outro como realmente somos e por isso foi tão intenso que chegou a ser assustador. Hoje percebo que foi verdadeiro. A mentira foi apenas o manifesto da negação criada por uma situação singular, mas que espero seja logo resolvida e superada, assim como todos os sentimentos que vieram a tona e que se transformaram confusamente ao longo de todos os problemas que o nosso envolvimento causou.

O outro Eu que você escolheu manter trata-se apenas da sua sombra projetada pela imagem que criaram de você e que você aceitou por já ter todo um histórico de vida em torno dele. Sei que não estava preparado para recomeçar sendo quem realmente é, por isso tinha que fazer uma escolha: ficar com o teatro para manter a segurança e a estabilidade social, incluindo motivações como gratidão e até compaixão e amor por determinadas pessoas, ou arriscar tudo e correr o risco de ficar sem nada. Hoje eu o compreendo e lamento por tantas brigas próximo ao final que havia de ter nossa história. Sei que não foram necessárias, mas foi melhor assim, ao menos agora você pode recomeçar sua vida mais evoluído como pessoa e eu reiniciar a minha mais amadurecida.

Apesar de muito entristecida por não tê-lo mais nem mesmo como amigo, ainda estou contente e satisfeita por cada segundo compartilhado com você. O conforto dessa perda se reserva a imaginar que onde quer que você esteja, esteja realmente bem e feliz e não importa como ou com quem, apenas esteja e seja feliz, pois você está vivo e guardado para sempre no meu coração.

Te amei ontem, te amo hoje e te amarei por todo o sempre!

Fique bem!