As coisas assim tão belas
mesmo as que não são dela
quer para poder guardar.
Diz que guarda tudo que encontra
debaixo da cama e quando pronta para dormir
os olhos abrem e fecham rápidos
num telégrafo telepático
para a caixa cheia de coisa bela abrir.
Tem noite que tão cansada se entrega
só urso de pelúcia pega
e se ajeita na cama de lado a suspirar todos os seus dramas,
já outras abraça o retrato daquele moço alto
que achou amar, no verão dos seus quinze anos.
Revendo o dia no sono
a menina que guarda sonhos
tem sempre belo novo para guardar,
vai para um canto da mente e canta
e a música muda, dependendo de onde ela esta.
Quando sonha com florestas, uiva
quanto em festas dança nua
e nos lagos joga pequeninas pedras
que guarda no bolso, encontradas no caminhar,
por isso as vezes fica tão cansada,
tanta pedra guardada
para poder se lembrar.
Com ela aconteceu certo dia
uma das lembranças que mais queria
não conseguia achar em nenhum lugar.
Correu florestas desesperada
jogou pedras no lago e nada
restou somente acordar.
Ao sair de casa para se aquecer
pegou o casaco velho e demodé
fechou a porta com duas voltas
e sentiu
na mão, nos dedos, nas pontas
uma pedrinha de brita
que agarrou toda aflita,
dentro do bolso esquecida,
para a lembrança lhe proteger.
Ivo Nascimento
mesmo as que não são dela
quer para poder guardar.
Diz que guarda tudo que encontra
debaixo da cama e quando pronta para dormir
os olhos abrem e fecham rápidos
num telégrafo telepático
para a caixa cheia de coisa bela abrir.
Tem noite que tão cansada se entrega
só urso de pelúcia pega
e se ajeita na cama de lado a suspirar todos os seus dramas,
já outras abraça o retrato daquele moço alto
que achou amar, no verão dos seus quinze anos.
Revendo o dia no sono
a menina que guarda sonhos
tem sempre belo novo para guardar,
vai para um canto da mente e canta
e a música muda, dependendo de onde ela esta.
Quando sonha com florestas, uiva
quanto em festas dança nua
e nos lagos joga pequeninas pedras
que guarda no bolso, encontradas no caminhar,
por isso as vezes fica tão cansada,
tanta pedra guardada
para poder se lembrar.
Com ela aconteceu certo dia
uma das lembranças que mais queria
não conseguia achar em nenhum lugar.
Correu florestas desesperada
jogou pedras no lago e nada
restou somente acordar.
Ao sair de casa para se aquecer
pegou o casaco velho e demodé
fechou a porta com duas voltas
e sentiu
na mão, nos dedos, nas pontas
uma pedrinha de brita
que agarrou toda aflita,
dentro do bolso esquecida,
para a lembrança lhe proteger.
Ivo Nascimento
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