segunda-feira, 22 de abril de 2013

O Caldeirão de Pietra

Parte II

Pietra

Pietra era uma mulher de beleza comum, mas possuía uma graciosidade especial e uma elevada dose de poder de sedução. Seu semblante era terno, seu olhar era doce e meigo, seus lábios eram carnudos, porém suaves. Tinha cheiro de canela e orquídeas, cabelos escuros e longos, pele aveludada e macia, suas curvas bem definidas ficavam escondidas por debaixo de suas vestes compridas e causavam curiosidade aos homens que, vez ou outra, encontravam coragem para espioná-la enquanto tomava seus banhos no rio. Para muitos ela era muito querida, porém para outros, Pietra representava a personificação da repugnância e estes a refutavam sobremaneira.

Sua infância e juventude foram marcadas por tragédias e situações muito difíceis às quais deixaram sequelas e resquícios que a atormentaram a vida toda. Por conta de seus fantasmas, suas noites eram assombrosas e raramente conseguia relaxar durante o sono. Muitas vezes dava preferência por ficar horas e horas acordada até seu corpo não suportar mais a exaustão e desmaiar. Só assim conseguia ter um sono livre das perseguições do passado.

Apesar de tudo, Pietra se esforçava muito para ser uma pessoa melhor. Jamais ambicionou obter fortuna ou possuir bens materiais, mas queria sim ser alguém na vida desde que fosse através de seus próprios esforços e méritos. Seu principal objetivo era algum dia conquistar a paz interior que tanto sonhava desfrutar, mas que estava muito longe de alcançar.

Certo dia, enquanto Pietra descansava sobre o chafariz da praça matriz de sua cidade, inusitamente, foi abordada por uma senhora desconhecida que intencionava obter informações sobre pousadas da região local. Pietra sentiu um carinho involuntário por aquela mulher e, amorosamente, se dispôs a acompanhá-la até uma pensão familiar onde pudesse ser bem tratada sem esbanjar muito dinheiro. Durante o caminho até a pensão elas desenvolveram um laço de amizade entre si que mais tarde resultaria em cumplicidade e partilha de sentimentos, conhecimentos e experiências.

Nos dias que se seguiram, as duas se encontraram diversas vezes nos arredores da cidade. Ficavam horas conversando, realizando alguns experimentos estranhos e fazendo anotações em cadernetas. Ás vezes até se afastavam da vizinhança para ter mais privacidade e liberdade em suas experiências.

Pela primeira vez na vida, Pietra se sentia protegida e segura, mas havia chegado o momento daquela senhora se despedir e permitir que sozinha, Pietra se concentrasse em si mesma e em suas novas tarefas para desenvolver suas habilidades e iniciar um novo caminho pessoal muito diferente daquele que havia trilhado até então.

Pietra iniciava uma fase de sua vida!

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